Capítulo 19: “Eu anexaria os planetas, se pudesse…”

Pretende apresentar:

1: Uma nova teoria do valor;
2: A teoria marginal da utilidade;
3: As tarifas protetoras;
4: O crescimento da grande indústria;
5: Trustes, cartéis e combinações;
5: Os excedentes de mercadorias e de capital;
6: Solução: as colônias;

Huberman aponta que a classe dominante dos rentistas, principalmente os donos de terras, se viu desarmada pela burguesia à época dos economistas clássicos com suas teorias convergindo para a tese do valor-trabalho, permitindo um novo entendimento sobre o papel do trabalho humano na atividade econômica;

Quando explorada por Marx, porém, a própria burguesia passou a ser alvo das contestações apregoadas pela teoria clássica a partir da concepção de valor a partir dos custos;

Porém logo surgiu uma nova teoria para confrontar a tese do valor-trabalho, a do valor-utilidade, pelos economistas posteriormente denominados marginalistas, Jevons, Walras e Menger, quase que ao mesmo tempo, dando origem à ortodoxia econômica que predominou até a época de Huberman (e predomina até hoje);

O autor associa o conceito de utilidade à ideia de sentimento/necessidade;

Altera-se o padrão de valoração de objetivo para subjetivo;

A satisfação de um produto é dada, entre outras coisas, pela quantidade dele de que já dispomos, no lado da demanda, ou pela quantidade dele que há disponível, no lado da oferta;

Portanto, é o último a ser adquirido quem determina o valor que ele terá;

Assim também é dado o preço no mercado competitivo, quando o último comprador paga o máximo que está disposto para adquirir a última unidade do produto, estabelecendo o preço em todo o mercado;

Huberman critica a ideia do valor-utilidade utilizando-se da ideia de Cairnes, ao apontar que o uso da distinção marginal distorce a comparação entre mercadorias ao comparar unidades no lugar do todo;

Ouro x ferro, entre unidades prevalece o ouro, menos abundante, enquanto entre totalidades prevalece o ferro, pela sua utilidade intrínseca;

Consolidada a ideia do valor-utilidade, ganha embasamento a prática de controle da quantidade ofertada para manipular o lucro através dos preços das mercadorias. Conquanto já fosse prática das companhias de comércio depois do século XV, após a proliferação da produção e comércio em grande escala, até a metade do século XIX, predominou a ampliação da oferta para atender a demanda crescente. Porém, no último quartel desse século os países começaram a estabelecer tarifas protecionistas para incentivar suas indústrias nascentes, favorecendo a criação de grandes monopólios nacionais;

Interessante é que mesmo os monopólios que viriam a surgir e/ou fortalecer nesse período nasceram do processo concorrencial. Por vezes de maneira justa, outras nem tanto, empresas mais eficientes e/ou mais influentes acabaram sobrevivendo às demais. Seu prevalecer possibilitou ganhos de escala, acumulo de tecnologia e maior eficiência, resultando em menores preços, o que era uma vantagem aos consumidores;

Mas nem sempre era isso que ocorria, já que em vários casos as empresas entraram em acordo para agir como se monopólio fossem, a prática dos cartéis, tanto para eliminar outras empresas de mercado como para a própria sobrevivência neste;

Mas sob tudo isso ocorria uma transformação ainda mais significante, a dependência cada vez maior do setor industrial do setor bancário, onde também vigoravam as práticas monopolistas;

O crédito ditava o ritmo de crescimento industrial, mas começou a comandar esse crescimento conforme as vontades dos seus gestores, e como muitas vezes confundiam-se com os proprietários das grandes empresas, resultava no reforço dos monopólios industriais;

Formados esses aglomerados, publicamente ou não, o controle da oferta estava garantido, assim o preço era determinado não pelo equilíbrio de mercado pregado pelos economistas, mas pelos industriais. Porém, não lhes era interessante financiar sua capacidade ociosa, e portanto interessava a descoberta de novos mercados, uma vez que os grandes haviam adotado medidas protecionistas;

E esses novos mercados seriam as colônias, principalmente no continente africano no período anterior à sua divisão em países;

E essas colônias vieram a calhar duplamente, porque forneciam matéria-prima para os produtos industriais, retirando a dependência que uma metrópole tinha da outra nesse aspecto;

Mas Huberman destaca um terceiro fator (além da necessidade de demanda e matéria-prima) para a relação “imperialista” das metrópoles com as colônias, o excesso de capital, proveniente dos “superlucros” obtidos com os monopólios, em tamanho que não eram passíveis de reinvestimento, gerando uma “superacumulação” de capital;

Conquanto as nações onde esse excedente de capital era gerado necessitassem de investimentos, o capital migrava para onde pudesse gerar maiores taxas de lucro, novos excedentes, e portanto não priorizavam necessariamente seu local de origem;

Mas era uma vasão de capitais mais complexa que o simples pagamento de juros sobre os empréstimos, já que vinculava-se a concessão de recursos financeiros à obrigatoriedade de adquiri os produtos no país onde originava-se esse dinheiro a ser emprestado, permitindo aumento ainda maior no lucro “nacional”, através dos grandes monopólios;

Alinhava-se a exportação de capital excedente com a exportação de mercadorias excedentes, no alinhamento das duas maiores forças econômicas existentes, o setor financeiro e o setor industrial, que Huberman aponta como os definidores dos rumos das economias – o processo imperialista;

Imperialismo que não ocorria necessariamente pela invasão física de territórios, através de domínio de um país por outro, mas também pelo domínio financeiro, como retratado, ou mesmo aquele disfarçado na figura de tratados e contratos (dívida pública?);

Mas não há fim para o processo competitivo imperialista. Mesmo divididos os mercados entre as grandes economias/empresas mundiais, as relações de força entre elas continuam a se modificar, dada a dinamicidade do processo concorrencial, invertendo essas relações, transformando divisões antes adotadas como justas em injustas, levando novamente a concorrência, e as vezes à guerra, porque o capitalismo buscará sempre o escoamento das suas mercadorias.

__________
Lucas Casonato”

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: