Capítulo 14: De onde vem o dinheiro?

PARTE 2: DO CAPITALISMO AO…?

Pretende apresentar:

1: Dinheiro que é capital e dinheiro que não é;
2: O capital e os meios de produção;
3: Como os impérios acumulam capital para a indústria moderna;
4: Novas formas de produção, nova religião;

Huberman inicia o capítulo apresentando sua visão de dinheiro enquanto capital ou instrumento de consumo. Apoia-se na ideia de que quando alguém utiliza o dinheiro para comprar algo para si está efetuando apenas um transação, enquanto que um indivíduo que adquira algo para em seguida vender novamente tem o dinheiro gasto na aquisição como capital;

Nessa linha apresenta como fase pré-capitalista aquela onde se vendiam produtos para obter recursos e comprar outros itens, onde as mercadorias passariam pelas mãos dos interessados, atendendo às necessidades dos agentes. Já a fase capitalista se caracteriza como aquela onde as pessoas adquirem produtos já idealizando a venda destes, objetivando ganhos com o movimento da mercadoria de um agente a outro;

Mas não existe uma mercadoria específica para a qual se identifique o objetivo capitalista da aquisição. A forma capitalista assumida pelo dinheiro transpassa o mercado de trabalho, porque o patrão remunera a força de trabalho mas não a vende, porque comercializa os produtos gerados a partir dela;

Como é o dono dos meios de produção, o capitalista compra a força de trabalho, e na interação desses dois fatores ocorre a produção capitalista;

Mas o capital não é apenas o dinheiro com fins especulativos, é também o capital em que ele se transforma, que permite a reprodução do sistema;

Segundo Huberman a origem dos primeiros capitalistas ocorreu por meio de diversos fatores, acumulando recursos por meio do comércio, conquista, pirataria, saque e exploração;

Processo que tive como pontos cruciais as cruzadas, o descobrimento das américas e a exploração e comércio do escravo negro;

Conquanto o acumulo de capital fosse condição necessária ao florescimento do capitalismo industrial, não era suficiente. Huberman aponta que outro fator essencial era a existência da oferta de trabalho. Mas essa não ocorreria por si, conquanto houvesse uma massa de desempregados ao começo do século XX, porque na visão do autor os homens só estariam dispostos a vender sua força de trabalho a outrem quando não mais dispusessem de meios de produção próprios, seja terra ou ferramentas;

Huberman chega a apontar a história do capitalismo industrial como a história de como os trabalhadores foram privados dos meios de produção;

Citando Marx, o autor discorre que a livre força de trabalho para fins capitalistas dependia também da falência do sistema anterior, findando a servidão, o sistema de corporações e de mestres e jornaleiros;

Ponto crucial dessa história foi o reforço às leis de propriedade privada, principalmente por conta da influência exercida pelos latifundiários, aumentando o contingente de pessoas sem posses e meios de sobrevivência, ou seja, aumentando a oferta potencial de mão de obra ao sistema capitalista;

É importante salientar que esse ponto é defendido por Huberman como um acontecimento não intencional, já que o fechamento de terras ocorria para aumento dos lucros e não para o favorecimento do capitalismo;

O sistema capitalista industrial ganha forma nesse momento, com a mão-de-obra assalariada (sem posses), a divisão do trabalho (alienação do trabalhador) e a mecanização da produção (produção em massa para o comércio);

A mecanização da produção, ao permitir o crescimento da quantidade produzida, reduziu os preços dos produtos, implicando prejuízos aos artesãos manuais que não conseguiam sobreviver dada sua pequena capacidade produtiva, forçando-o a tornar-se assalariado;

Esse momento histórico de expansão do capitalismo contou com a proliferação de doutrinas protestantes que discursavam em favor do lucro, diferente da Igreja Católica, que Huberman cita: Puritanos, Metodistas, Calvinistas, seitas diversas que tinham sua pregação alinhada ao capitalismo, onde sua situação financeira/material era condizente com a quantidade de trabalho prestado, numa forma de reconhecimento divino.

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Lucas Casonato”

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