Capítulo 5: O camponês rompe amarras

Pretende apresentar:

1: Modifica-se a situação do camponês que começa a ser dono da terra;
2: Novo regime de trabalho;
3: As revoltas camponesas;

A expansão comercial monetizou a economia, e permitiu aos camponeses (servos) sair da situação na qual se encontravam, de prisão às condições socioeconômicas vigentes, que não apresentavam possibilidades de mudança;

Essa saída foi permitida pela necessidade de subsistência de toda uma gama de pessoas que agora participava desta nova atividade econômica, resultando numa divisão do trabalho entre cidade e campo. Enquanto a primeira comercializava uma série de produtos, o segundo era responsável pela manutenção de ambos;

Mas como é que a produção que até então era necessária apenas para subsistência de uns poucos, sendo autossuficiente, teria capacidade para alimentar essa nova demanda da cidade? Duas formas eram possíveis, e ambas foram realizadas: o desenvolvimento intensivo (mais tecnologia) e o desenvolvimento extensivo (mais terras);

Não houve dificuldades para o desenvolvimento extensivo porque apenas uma parcela das terras da Europa estavam utilizadas, as de fácil cultivo. Como as terras eram abundantes não havia necessidade do senhor feudal expandir as terras aráveis além do necessário para a subsistência do feudo, já que não existia produção para o comércio. Assim, só ocupavam as terras mais fáceis para o cultivo, deixando algumas terras, florestas e pântanos ociosos. Esses locais poderiam se tornar produtivos com algum trabalho, o que foi realizado pelos camponeses que buscavam liberdade (comprando-a) e a propriedade de algum pedaço de terra, ou por aqueles que submeteram-se a arrendar as terras até então improdutivas a um baixo custo;

Até o afloramento das atividades comerciais ao camponês restava apenas uma espécie de destino predeterminado, numa sociedade pautada na divisão de classes sociais. O comércio e as mudanças institucionais permitiram que ele saísse da rotina de produção para sobrevivência, pois passou a ter incentivos para ser mais produtivo, para comercializar seu excedente;

E o senhor também tinha muito a ganhar com as novas atividades do servo. Aqueles que não conseguissem terras próprias agora podiam arrenda-las do senhor, que também tinha necessidades de moeda para pagar pelos novos produtos que vinham do oriente. O senhor agora podia dispensar parte dos camponeses do trabalho em suas terras exclusivas para trabalhar outras terras da propriedade e pagar tarifas por seu uso. E o senhor via as vantagens disso na maior produtividade que tinha o trabalhador quando sabia que poderia internalizar os retornos de maior esforço no trabalho da terra;

A sociedade medieval esperava que diante dessas transformações a igreja tomasse partido na busca pela emancipação desses servos, já que parte dos senhores já havia iniciado esse processo. Mas, pelo contrário, atuou contra, incentivando a revolta dos camponeses contra a instituição religiosa. Assim, esses últimos tiveram de conquistar sua liberdade na base da revolução;

Um fator que deu força às reivindicações dos camponeses foi a peste negra, que dizimou quase metade da população europeia. Essa redução no número de trabalhadores permitiu que os que sobreviveram pudessem insistir por melhores condições e remuneração por seus serviços. Como a terra só produzia valor para os senhores se fosse trabalhada, a demanda por trabalho permanecia inalterada enquanto a oferta diminuía, favorecendo os camponeses;

Até então as revoltas camponesas eram locais e em pequena escala, já que não havia muita liberdade, conhecimento de outras possibilidades (como o comércio), e locais. Com o advento da atividade comercial, conquista de direitos e a noção da sua importância para o sistema produtivo, os trabalhadores iniciaram grandes revoltas na busca pela ampliação de seus direitos, contra a resistência que tentavam impor os senhores feudais;

As convulsões sociais e as novas experiências em termos de trabalho, posse, moeda e riqueza transformaram a sociedade medieval. Por volta do século XV a maior parte das terras já aceitava pagamento em forma de dinheiro no lugar do trabalho servil periódico;

A partir daí tem início a característica que determinou o fim do período feudal, a possibilidade de comercialização da terra como uma mercadoria qualquer.

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Lucas Casonato”

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