Capítulo 3: Rumo à cidade

Pretende apresentar:

1: O comércio e as cidades;
2: Surgem as corporações;
3: Choque entre a cidade e o senhor feudal;
4: Cresce a influência dos mercadores;

É inegável que existiam cidades mesmo antes da intensificação do comércio, mas é fato que seu número se multiplicou com o avanço deste. As intensas jornadas dos transeuntes que portavam mercadorias implicava a necessidade de paradas para descanso onde muitas vezes não havia nada. Porém, eram em tamanho número os mercadores que convencionaram-se locais de descanso, principalmente às sombras das igrejas e burgos (local de proteção para o caso de ataque), envolvendo essas construções e iniciando novas cidades;

Ou seja, já havia alguma espécie de organização social no local, que intensificava-se pelo aumento populacional promovido pela chegada dos mercadores;

Para o senhor feudal, proprietário das terras onde estabeleciam-se essas cidades, pouco fazia diferença entre essas áreas e as de sua produção, porque numa sociedade pautada na propriedade rural era indiferente o fim que era dado ao uso da terra, desde que se pudesse lucrar com isso através da cobrança de tarifas e continuar administrando a justiça a partir dos costumes locais;

Mas esse processo não era bem-visto pelos mercadores, que buscaram agrupar-se na sua defesa pessoal e comercial, tanto para o transporte das mercadorias como nas brigas por mais independência em relação aos senhores das terras. Em especial, destacam-se as demandas de:

1: Liberdade no direito de ir e vir (de preferência sem o pagamento de tarifas);
2: Direito de propriedade sobre a terra (dispondo de sua venda para investir se necessário);
3: Um sistema de justiça independente, que não favorecesse aos interesses dos senhores;
4: Uma legislação criminal, já que a aglomerado urbano trazia consigo aumento nos índices de criminalidade;
5: Um novo sistema de impostos, que favorecesse ao comércio e empreendedorismo;

Nem todos esses direitos foram conquistados numa única vez, mas gradualmente foram modificando a estrutura feudal na defesa desses interesses em cada um dos pontos, algumas vezes pacificamente, outras por meio do resultado das convulsões sociais;

Não era o que hoje entende-se por revolução, já que não buscavam derrubar aqueles que estavam no poder, apenas a busca por mais direitos;

O processo de independência das cidades durou séculos, e o tempo e a forma variaram muito de cidade para cidade na Europa, dadas as diferenças iniciais nos costumes e outros fatores;

A união dos comerciantes não foi de todo benéfica para a sociedade. Conquanto tenham se unido para conquistar mais direitos e por tabela os repassassem ao restante da sociedade, essa organização formou uma espécie de monopólio (controle dos preços) que controlava o comércio, ficando com os melhores negócios;

Esse monopólio não estava restrito aos comerciantes locais, mas também buscavam diminuir o poder de concorrência dos estrangeiros. Os monopólios passaram a controlar as mercadorias que entrassem e saíssem;

Esse poder, conquistado pela via financeira da acumulação de riqueza, só foi aumentando com o alinhamento e influência junto à administração da cidade;

A partir daí pode-se tratar do paralelo existente entre o poder pela acumulação de dinheiro dos mercadores em relação ao poder associado à posse da terra dos senhores feudais. Conforme se intensificavam as mudanças sociais e a cidade ia se tornando mais importante que o feudo, também a riqueza comercial se tornou mais promissora que o status advindo da posse da terra, implicando o início da preponderância dos comerciantes em relação aos senhores. Desta forma, em resumo, a relação de poder na sociedade já era dada e ia se modificando pela relação de riqueza;

Antes da intensificação do comércio a sociedade era dividida entre nobreza, clero e servos, e o poder do governo recaía sobre os dois primeiros. Mas agora surgia uma nova camada social, a classe média, que vivia da compra e venda de produtos, e acumulava uma nova fonte de riqueza que implicava numa correspondente parcela de poder do governo.

__________
Lucas Casonato”

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