Capítulo 2: Entra em cena o comerciante

Pretende apresentar:

1: O investimento da riqueza na idade média;
2: O intercâmbio de mercadorias;
3: As cruzadas e o comércio;
4: Mercados e feiras;

Durante a idade média não havia forma alguma de movimentação financeira, e os que tinham alguma reserva, como grandes senhores e a igreja, mantinham guardados seu ouro e prata em razão da indisponibilidade de aplicações para eles, ou seja, o capital era improdutivo;

Mesmo o conceito de dinheiro era muito precário em relação à hoje, porque as pessoas não transacionavam entre elas, já que a quase totalidade do que precisavam, em geral alimentação e vestuário, era produzida dentro do próprio feudo. Assim, a economia feudal pautava-se basicamente no consumo, com cada feudo sendo quase totalmente autossuficiente;

Havia um sistema de trocas para suprir aquilo que cada família não fosse capaz de obter ou produzir por conta própria. Essas trocas eram realizadas por um servo mercador empregado do senhor ou bispo, onde cada um levava o excedente que não necessitava para consumo – não havia incentivo para produção em larga escala;

Alguns fatores dificultaram a proliferação da atividade comercial, tornando-a difícil e perigosa, resultando em baixa intensidade e concentrada localmente:

1: As trocas ocorriam apenas por necessidade, e não como objetivo final;
2: Má qualidade das estradas, que por vezes exigia-se algum tipo de pedágio para uso;
3: Insegurança nas rotas entre feudos/cidades, com vias frequentadas por salteadores;
4: Ausência de moeda e medidas comuns entre regiões;

A situação mudou com o início das cruzadas nos séculos X e XI, quando a igreja pregou a necessidade de reconquistar Jerusalém, afirmando que a morte dos mulçumanos garantia a entrada no reino dos céus;

Mas os cruzados não buscavam apenas favorecer a igreja, porque viam nessas expedições a possibilidade de pilhagem e conquista de novas terras;

Como necessitavam de suprimento para completar a viagem ao oriente médio, ao retornarem para o ocidente tinham adquiridos novos hábitos de consumo, alimentos e vestuários do oriente. Esse processo intensificou a produção para comercialização, principalmente entre países/reinos distintos;

Não só os cruzados tinham interesses particulares, mas também:

1: A igreja, que além da reconquista da terra santa almejava a conversão de mais países à sua causa, o que implicaria em maior arrecadação;
2: O império bizantino, que buscava uma forma de frear a expansão mulçumana próxima aos seus territórios;
3: Nobres e cavaleiros endividados, ou os filhos mais novos sem direitos hereditários, que almejavam riquezas e terras;
4: As cidades italianas de comércio, como Veneza, Gênova e Pisa, que desejavam vantagens especiais de comercio na Ásia, dominada por mulçumanos;

Conquanto o principal objetivo das cruzadas não tenha perdurado, a posse de Jerusalém, seu fim viu mudanças fundamentais para a Europa da idade média, principalmente no tocante à distribuição da população e a conquista das rotas comerciais do mediterrâneo, incentivando a atividade comercial até então deixada de lado;

Apesar do aumento no ritmo das atividades comerciais, cabe destaque que essa não era contínua, dada a incerteza quanto à demanda e as dificuldades no transporte. Assim surgiram as grandes feiras, realizadas periodicamente em diversos lugares, tal como hoje, onde os vendedores reuniam-se para oferecer seus produtos;

Divergiam das pequenas feiras entre feudos que comercializavam apenas produtos agrícolas e em baixa escala, enquanto as grandes feiras tinham uma infinidade de vendedores de todo o mundo com diversos tipos de produto;

Essas grandes feiras rendiam bons lucros aos senhores proprietários das terras onde eram realizadas, porque os mercadores deveriam pagar pelo direito de participar, para terem suas mercadorias armazenadas e pelo direito de uso de uma barraca;

Como as feiras eram eventos grandes demais para a época, os guardas das cidades eram insuficientes para controlar toda a população. Assim, eram contratados novos para proteção da feira, e instaurado inclusive um tribunal próprio para a resolução dos conflitos ali ocorridos;

Nessas feiras também acontecia o comércio de moedas, já que cada local apresentava uma moeda específica. Junto a essas transações cambiais haviam também negócios financeiros dos banqueiros, que tinham uma clientela que se estendia por toda a Europa;

Desta forma observa-se a primeira ruptura com o sistema econômico anterior, já que o desenvolvimento do comércio levou a necessidade do uso do dinheiro;

Antes disso havia a inconveniência natural ao sistema de trocas, a necessidade de achar alguém que dispusesse do produto que se oferecia e que ao mesmo tempo tivesse interesse no produto que se pudesse oferecer, além de ter de acordar uma proporção na troca. A introdução da moeda não só resolveu esse problema como acelerou ainda mais a expansão do comércio.

___________
Lucas Casonato”

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